17 agosto 2016

Licença para amar


Os paradoxos vieram na medida que procurei esclarecimento, frustrando as expectativas de conforto existencial. Provando que a vida é uma aventura, sobretudo, e não um piquenique a sombra da eternidade. Se estou mesmo aqui, bem assim como me parece, creio, preciso antes de tudo, compreender o básico para uma convivência entre as diferentes singularidades, no limite da “liberdade”. Condeno, portanto, somente o que não trabalha a favor desta condição, ou seja, taxações, valores rígidos, doutrinas virulentas, inflexões. Para produzir a luz de um valor que permita livre curso as singularidades, que seja capaz de se contradizer sem por isso se anular. E que apesar de tanto seja simples, e fuja a prolixidade como quem quer de fato gerar sentido, não apenas um sentido, mas todos os belos sentidos que se possa atribuir.
De tanto contemplar, pude pensar a beleza. Pensei sobre sua natureza abstrata. Que tem forma e não tem. Que pode estar e não estar ao mesmo tempo. A beleza é portanto aquilo que imputa uma sensação de sentido a vida. Manifestada sobre a matéria ou a imaterialidade, sobre uma flor, ou um sentimento, de forma coletiva ou individual. A beleza é a poesia contida, aquilo que de quando em quando nos diz que tudo faz sentido. É o desabrochar de uma sublime circunstância. É uma aguda sensação intuitiva e complexa que ganha forma de compreensão. A beleza é uma compreensão que dispensa sentido, uma compreensão que antecipou sua própria razão.
As diferenças são a riqueza. E os condenados seguem condenando condenados. Já é tempo de anistiar. Que pobreza pode ser maior que dois pensamentos idênticos? Mas aparentemente duas pessoas que discordam em tudo não podem coexistir. Que pobre inflexão. A que ponto chegamos? Já é tempo de anistiar, de coexistir.

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homem pedindo licença para amar

Drawing - Elke Maravilha