21 março 2016

Finalmente artista?

      
     Olá! Vou falar de dois assuntos. Finalmente me formei na UDESC, em Artes Visuais. Então, agora, sou artista! kkk. E também assisti ao filme A Bruxa, e gostaria de comentar. Vou falar, e vai ter spoiler. Então, quem não viu ainda, pode deixar de ler quando eu começar a falar do filme. Vai ficar para o final.
Formatura, 16/03/1016
    Bom, me formei e acredito que é hora de fazer umas breves considerações sobre o que foi essa experiência acadêmica. Fiz questão de passar pela cerimônia de colação de grau para sentir qual é. Mesmo porque era de graça. Acredito que muita coisa do curso pode ser metaforizada na cerimônia final. Em geral, tudo faz parte de uma grande alegoria, onde muito do que importa são os formandos, porém, estes se encontram em uma condição restrita, com uma série de elementos simbólicos amarrando as ações espontâneas, que de antemão fodem a proposta de arte. Símbolos de importância inquestionável e mal explicados. Um momento de encontros, descobertas, afetos, desavenças, alguns professores espirituosos, outros nem tanto. Discursos significativos, porém demasiadamente longos. Pedante. Com algumas exceções de pessoas que, talvez, concordem comigo. Algumas aventuras inesquecíveis. Algumas decepções inesquecíveis. Você ganha o Mérito de Excelência Acadêmica, mas o certificado vem com seu nome escrito errado. Isso ilustra a hipocrisia dos burocratas inflexíveis na hora de recolher qualquer documento. E para o meu prazer, que até preferi receber o certificado assim, para emoldurar seu erro eterno e oficial. Penso que a academia não forma artistas. Nem professores. Nem nada. Ela simplesmente proporciona experiências e você faz delas o melhor que pode. Muitas vezes, proporciona experiências singulares, outras vezes, castradoras. Um bom momento para afiar o senso crítico. Eu entrei com uma turma de 20 alunos, e apenas 3 se formaram. Quantos colegas eu vi entrarem no curso, com paixão em fazer arte, e saírem desacreditados do que faziam? Inseguros, desmotivados, despotencializados. Eu já entrei disposto a me decepcionar. Não que não tenha sofrido, mas sobrevivi. E me orgulho disso. O que fica são meia dúzia de fotos, experiências, alguns amigos e, no meu caso, um amor: encontrei no curso a mulher com quem sou casado. É, acho que muita coisa ficou e mudou de lá pra cá. Eu mudei também. Obrigado a todos que fizeram parte disso tudo.
     Depois da cerimônia, resolvemos assistir ao filme A Bruxa. Eu me senti na obrigação de ver esse filme, e tava crente de que ele conversava com os meus Embruxados. E realmente estava certo. Muitos significantes interagem com o meu trabalho. Uma família muito religiosa, cristã, é expulsa da vila e vai morar próxima a uma floresta, numa modesta cabana. Então, você tem uma imersão total no contexto psicológico dos personagens, porque é um recorte muito preciso na família e seus 6 membros. E uma confusão de intimidades onde Deus é mais importante do que uns para os outros. Isso os induz a se julgarem continuamente e a se afastarem. Nesse contexto psicologicamente sombrio, coisas estranhas acontecem. Mas tudo muito misterioso. O bebê some. A filha é acusada de bruxaria pela própria família. A mãe se antagoniza à filha mais velha. E no final, a filha, totalmente sozinha, excomungada do amor da família, vê o pai ser morto por um bode, e sua mãe tenta matá-la, mas ela acaba por matar a mãe. Pode-se pensar num elemento simbólico muito potente, que é a filha matando a mãe, conservadora, mas ela mata se defendendo e fica completamente só. É aí que ela conversa com Satã, faz um contrato, e vai para a floresta, encontrando um sinistro sabá de outras mulheres. E o filme acaba. Mas aparentemente ela foi acolhida da opressão e da condição terrível de seu contexto e seu destino por outras mulheres. Bruxas. Muita coisa pode ser interpretada e significada. Não é um filme de terror convencional. Aliás, acredito que eu vi com outros olhos. E nem quero entrar no mérito da execução impecável do filme, porque muita gente já falou disso, penso que interessa mais a relação com os embruxados aqui. Um dos melhores filmes que vi nos últimos meses, com certeza.
     Não vou me estender. Muito obrigado para quem leu até aqui. Deixe seu comentário, e tchau!

Homem pregando a palavra pregada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário