14 março 2016

Quais minhas referências.


     Este é um assunto muito rico e nunca deve ser esgotado. Referência artística, para mim, vai muito além de citar meia dúzia de artistas. Pois considero que arte e vida, num determinado processo, são inseparáveis. Logo, a rigor, todas as experiências conscientes e inconscientes podem ser consideradas minhas referências. E sim me refiro a uma topada na rua. Aliás, considero as experiências de dor muito fortes, marcantes em meu trabalho. Eu tenho um histórico de dores renais que começou cedo, do qual eu não me orgulho. E admito ter grande influência sobre minha abordagem artística. Memórias de internações, corredores, dores sem começo nem fim, com intensidades impossíveis de definir. Soros, falta de escolha,  morfina, alívio total. Nessas horas, você entende que a felicidade só existe mesmo por critério de comparação. E por algum tempo apenas existir sem dor basta para ser feliz. E passado alguns dias você nem se lembra mais. Até que um ano depois, vindo sabe-se lá de onde, é acometido por tudo outra vez, e cada vez pior. Onde acaba, eu não sei, talvez quando meu rim virar finalmente uma pedra.
Estudando Lucian Freud em aquarela.
     Mas agora pensando em referência dentro das artes. Eu busco em várias linguagens com a mesma importância que na própria pintura. Principalmente nos romances e poesias, por questão de gosto mesmo. Ultimamente, tenho lido mais do que nunca. Os livros que estou lendo no momento são: O retrato de Dorian Gray e Moby Dick. Ambos recomendo sem dúvida! Sensacionais! Mas queria pontuar que O retrato de Dorian Gray é um livro que me surpreendeu muitíssimo desde o início e mais a cada página. Talvez por falar sobre pintura em vários momentos, ser mais filosófico e psicológico. Talvez por eu ser mais dado a aventuras nas profundezas da mente do que entre o céu e o mar. Estou numa fase de clássicos literários. Gostaria de deter a leitura de todos os clássicos. Isso é possível? Não importa. A vontade que se tem não deve conhecer os limites reais, isso pode ajudar. Já tá virando autoajuda esse texto. Ah, eu falava de referências artísticas, voltemos ao foco. Em questão de tempo, é verdade que só existe o presente. E que passado e futuro acontecem no presente. Seja como nostalgia e lembrança no caso do passado, seja como ansiedade, especulação e expectativa, no caso do futuro. Então, a relação com o momento é uma das perspectivas mais relevantes para se pensar referências. Pensar como algo dinâmico, como aquilo que estou interessado agora, e que vai influenciar meu próximo trabalho.
     Mas não posso deixar de falar de pintura aqui. Vou falar tudo muito a grosso modo. Pretendo fazer mais posts sobre este tema com recortes mais específicos. Gosto de pegar aqueles livros gigantescos que dizem: "obra completa do fulano", e folhear inteiro, alimentar os olhos, pensar que conheço a obra completa de Van Gogh, Picasso, Michelangelo. Sentar na biblioteca ou ir numa livraria e folhear tudo. Ver, deixar o inconsciente de imagens rico. Porque não se pode lembrar de tudo o que é visto. Mas, em algum lugar, essas imagens interagem, conflitam, mudam e voltam à superfície em forma de arte contemporânea. Como uma atualização das significações da arte. Acredito que minhas referências mais pontuais em pintura, mais ligadas à técnica, seriam Rubens, Caravaggio, Bouguereau, Watteau, Delacroix, Waterhause, entre outros. Vale a pena conhecer todos estes. E pintores que me fascinam, pela força significativa, sobretudo para mim: Francis Bacon, Iberê Camargo, Van Gogh, Lucian Freud, Egon Shiele, entre outros também.
    Acho que é isso, uma breve introdução ao meu jeito de pensar referências em arte. Decidido que vou postar toda segunda, às 7 horas da noite. Segunda, porque sim, e 7 horas, porque sou fanático quando se trata de número 7. Comentem, levantem questões, tirem duvidas. Obrigado!

Estudando Rubens.

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