07 março 2016

Arte contemporânea é um lixo?


     Olá! Tem um assunto que, me parece, intriga muito várias pessoas. Volta e meia alguém vem para mim e questiona: "Hoje em dia tudo é arte? Não existe mais arte? Arte contemporânea é um lixo? Por que confundiram o extintor na bienal com arte?" E toda sorte de coisas sobre a arte contemporânea que muito me faz pensar sobre o assunto.
      Primeiramente é importante dizer que arte contemporânea é tudo que esta sendo criado no nosso tempo em arte.  Portanto não se deve confundir arte contemporânea com arte conceitual, que me parece, é na verdade, ao que gostariam de se referir. Nem toda arte contemporânea é conceitual e nem toda arte conceitual é contemporânea. Feita essa ressalva, podemos começar a pensar com algum sentido mais claro.
      Você pode inclusive, ao meu ver, fazer uma leitura conceitual de uma obra não conceitual. Ou uma simples leitura do aspecto físico de uma obra com proposta conceitual. Ou ambas as coisas, cada qual em níveis estabelecidos por fatores subjetivos ou até mesmo conscientes. Tornando a imagem potente enquanto arte, por ser um vetor em potencial de experiências singulares. São abordagens definidas pelo próprio espectador, que no meu entendimento tem tanta importância para a significação da obra quando o próprio artista. A própria abordagem de leitura é passível de criatividade.
     Outro ponto, é termos por vezes esta nítida impressão de que a arte do passado é superior à arte do presente. Mas devemos considerar o fato de que o espaço de tempo entre nós e a arte do passado se encarregou de filtrar o que havia de mais significativo para a cultura. E que, portanto, arte boa e arte ruim são feitas em todas as épocas. Porém as de hoje ainda estão passando por tal filtro.
     Penso também que este discurso elitista da arte acaba deixando algumas pessoas muito inseguras ao se posicionar sobre sua relação com a arte. Pois muitas obras frustraram nossas inteligências. Todavia é preciso que tomemos consciência que arte não existe sem público. E que não há público certo nem errado. Cada um deve tecer sua própria relação com ela. O discurso não deve deixar que o verniz de empáfia nos intimide. Porque somos nós os contemporâneos de nossa arte. E esta relação só acontece no presente. Perder esta oportunidade é um desperdício. Deste modo podemos compreender que algum tipo de relação e leitura toda pessoa é capaz de fazer. E isto deveria aniquilar frases como "Eu não entendo nada de arte!", quando eu, por exemplo, pergunto a opinião de uma pessoa sobre meu trabalho.
       É isso. São apenas algumas reflexões que considero relevantes sobre o assunto. Agora pretendo publicar semanalmente algum ensaio aqui no blog, mas ainda vou definir dia e hora para as publicações saírem, para que a coisa fique um pouco mais profí. Deixem suas opiniões nos comentário! Obrigado!
 

Meu gordinho me ajudando, o que seria de mim sem ele?

2 comentários:

  1. Uma vez ouvi de um fotógrafo algo que dialoga com o que propões em seu texto. "Pode tudo só não pode qualquer coisa".
    Trata-se de um trocadilho que provoca um expectador não privilegiado a se permitir buscar o sensível na produção atual.
    Um abraço Sebastião

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  2. Muito bom! Anotei. Subjetivo e categórico...

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