18 abril 2016

Comentário sobre: "A morte da pintura"


     Uma das coisas que dizem por aí, sobretudo no meio acadêmico, é que "a pintura morreu". É uma minoria que diz isso, mas, com certeza, se ouve bastante. E os que adoram falar sobre, normalmente falam muito. Pois eu vou dar brevemente minha opinião, como costumo fazer. Para falar a verdade, pensei bastante se deveria gastar tempo falando sobre tal assunto, porque efetivamente considero um assunto tão sem sentido, que não saberia dizer se vale o esforço. Porém, com respeito total às pessoas que leem meu blog e que se interessam por arte, e que volta e meia podem escutar alguém falar uma tosquice dessas, é que escrevo minha opinião. "A pintura morreu". O que isso efetivamente deveria significar? Que não serve mais? Que não se pinta mais? Que foi saturada? Que está ultrapassada? Que a fotografia a substituiu? Sinceramente, não vejo a resposta a nenhuma dessas perguntas deliberar contra a pintura.
Retrato: Susano Correia.
     Mas é muito verdade que há pessoas dedicadas a defender esse tipo de ideia com verdadeiro fervor. Acredito, sinceramente, sem querer ofender ninguém, que esse tipo de oposição a uma vontade de expressão, sobre qualquer meio que seja, só pode ser protagonizado por uma pessoa reativa, que precisa talhar um impulso genuíno, que, entre outras coisas, é pura vida. E se fôssemos ser rigorosos, poder-se-ia dizer: são verdadeiros assassinos, não da pintura, mas da vida. Então, sou levado a crer que a reatividade, nesta questão especifica, é protagonizada por pessoas envolvidas com arte, e que, em algum momento, frustraram-se profundamente com a pintura. E longe de mim querer julgar as frustrações alheias, porque tenho as minhas, e sei que elas se bastam como punição.
     A fotografia veio para tudo o mais que não é se opor à pintura, no que penso. Em primeiro lugar, ela, por conta própria, é um caminho potente em arte indiscutível e independente. E depois, para a pintura, ela é uma rica ferramenta, e a carta de alforria com o naturalismo. Você não inventa o carro e mata todos os cavalos do mundo. Os diferentes interesses têm que existir sem dúvida nenhuma. Eu não deveria nem precisar falar isso. Mas, matar a pintura? Que espécie de pessoa gosta desse tipo de pensamento? Só pode ser alguém que vive virado para a quina de uma sala sem janelas. Do ponto de vista comercial, os games, as animações, as tatuagens, concept art, tudo isso é campo de artistas que trabalham com pintura. E nos espaços museais e acadêmicos, a mesma coisa: as pinturas novas e antigas estão lá, por toda parte, influenciando e sendo influenciadas. Sem falar no graffiti e tudo mais que é pintura, e já extrapolou há muito tempo a vontade de algumas pessoas de deter a arte em espaços controlados, tanto conceitual como fisicamente. Eu acredito, por exemplo, que Picasso abriu diversos campos de pesquisa em pintura e os deixou inexplorados, o que caberia a artistas contemporâneos vigorosos entender isso e propor atualizações e explorações mais profundas. Logicamente que, considerando as problemáticas atuais, que são a verdadeira ponte de coerência entre a arte e seu tempo, e não a técnica usada. 
     Está todo mundo aí mal cabendo em si e transbordando como pode. Quem melhor faz isso em pintura que o faça.

O passado de uma ilusão. Óleo sobre tela.




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