25 abril 2016

O corpo embruxado - introdução

     
O incrível engolidor de pás, embruxado.
     O corpo é sempre um tema central em arte; é fácil buscar na memória exemplos disso nas mais variadas épocas e culturas, e também em meu trabalho é um elemento importante. Penso que isso ocorre como reflexo de uma percepção intuitiva e poética de um ser que se sabe e se sente. O corpo é o que somos, ainda que de maneira material e transitória, e nele habita o como estamos. A partir de uma profunda e indivisível interação entre estes, o ser e o estar, é que somos percebidos e nos percebemos enquanto indivíduos. O corpo é também um elemento estético, enaltecido e valorizado neste sentido. E sendo o belo característica inerente apenas à natureza e à arte, classifico o corpo como elemento de beleza natural. É ponto de chegada e de partida para as reflexões acerca do belo, uma vez que não há sentido nem razão sem corpo.
     A beleza do corpo, no entanto, é percebida e ressignificada a partir da cultura, sofrendo intervenções nos seus conceitos. Portanto diria que o corpo é onde a beleza da arte e da natureza se tocam, para o bem ou para o mal da nossa condição. O corpo como elemento artístico é de uma potência única, visto que a posse de um é algo em comum a todos, artistas ou espectadores. Assim como muitas das reflexões, sensações e questionamentos referentes a ele.
    Nos meus embruxados, o corpo é a plataforma. Ele é a metáfora, e pretende transbordar elementos contidos no “estar” para o “ser”. Fazendo desta impossibilidade de dissociação entre ser e estar um elemento que confunde questões psicológicas e materiais. Tocando em fatos imutáveis da condição humana individual e que muitas vezes atingem o coletivo de maneira individual.


Para sempre, nunca mais.
Óleo sobre tela. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário