02 maio 2016

A filosofia embruxada

     
     O embruxamento pode ser encontrado em diferentes esferas, sobre infinitos formatos. Ele é um conceito subjetivo e, portanto, se adapta, sugerindo a todas as suas aplicações um descompromisso com a "verdade", a fim de buscar sua relação com o "talvez". Pois creio que podemos contornar um embate, tendo em mente que o importante não é precisamente deter a verdade, que é ignorada enquanto conceito subjetivo nas discussões, mas permitir livre curso à vida em toda sua potência.
o pensador meio burro
     Diante desse conceito anunciadamente subjetivo, as individualidades interpretam os significantes da maneira mais relevante para cada qual. Acredito verdadeiramente na potência da subjetividade enquanto forma de escrever pensamentos. Assim, considero que meus embruxados adquiriram uma qualidade filosófica aforismática. Eles são máximas, porém, paradoxais, porque abrem mão de serem categóricos, em virtude das singularidades interpretativas, como forma de atingir a reflexão por meios heterodoxos de supervalorização do indivíduo enquanto começo e fim do pensamento. Como proposta, uma maneira de escrever filosofia através de explanações artísticas, que, além de garantir a fixação da informação/reflexão/sentimento, usa vias menos racionais para tal, expandindo as margens do "talvez" meramente racional.
    A filosofia é instrumento prático para resolver muitos problemas. Nesse caso, minha reflexão tem um descompromisso total. Afinal, para os problemas triviais, o Sermão da montanha bastaria. E para os menos triviais, Kant. A minha proposta é certamente muito mais nietzscheana.

"[...] a chegada de uma nova espécie de filósofos, diferentes em gostos e inclinações a seus predecessores: filósofos do perigoso 'talvez', em todos os sentidos da palavra. Falo com toda sinceridade, pois vejo a vinda desses novos filósofos..." (Friedrich Nietzsche)

homem que sabe que sabe, que não é pássaro


3 comentários:

  1. Além de sermos pensadores somos sonhadores, a imagem da pode ser vista como um ser pensante e nostálgico, parece estar remetido a pensamentos bons e sonhadores, visto que é possível perceber um leve sorriso de nostalgia, quem sabe até de uma gostosa preguiça, de uma pessoa esta de bem com ele mesmo naquele exato momento.
    Eva Mendes

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  2. Que puta texto!!! Ler essas palavras que valorizam o pensamento individual, que mostra dedo para a verdade e que coloca o "Devir" acima do "É" deixa qualquer nietzschiano ereto.

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  3. Incrível! Já admirava seu trabalho com os desenhos... Agora descubro que também é poeta das palavras. Meus parabéns pelas criações. Que a subjetividade prevaleça à "verdade irrefutável"! Que caminhemos sempre à margem da padronização... Sejamos marginais \o/

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