09 maio 2016

Embruxamento cultural

     
     É quase unânime o pessimismo dos grandes filósofos, e vivemos em um momento propício para pensar e observar isso. No meu entender, o pessimismo não se trata de uma tendência a pensar negativamente sobre as coisas, mas uma simples projeção de um futuro catastrófico embasado no andar da história. 
     Diante das minhas experiências, posso visualizar, de muitas maneiras, a dificuldade de progredir em alguma direção da sociedade. Isso se deve, em parte, creio, a uma espécie de xeque-mate cultural que a diversidade de ideias e opiniões dá em si mesma, pois houve um acesso muito amplo à informação com a internet, e acesso à informação não significa acesso ao conhecimento, necessariamente. Esse acesso veio, em grande medida, especialmente no caso do meu país, a pessoas não preparadas para extrair conhecimento da informação. De modo que se enchem de informação carregada de tendências e de interesses, e as repetem justamente como escutaram, ou às vezes mesmo pior, na medida que esses interesses coincidam com as suas questões pessoais ou do seu grupo de amigos. E, nessas circunstâncias, ideias que fundamentalmente são opostas habitam cérebros que não estão preparados para discordar. Ou mesmo, cérebros mais interessados em parecer ter opinião do que propriamente interessados em esclarecimento. A isto eu chamo: embruxamento cultural.
     Há também uma resistência à ideia de poder extrair conhecimento de uma ideia oposta a que se tem. Sendo assim, há uma tendência a ver tudo de uma maneira unilateral, do ponto de vista da opinião que se adotou. Numa perspectiva de análise geral, isso é bastante limitado. Na minha opinião, alguns recursos como o Facebook podem atrapalhar muito, na medida que dissemina a informação. Pois é muito natural que os seus amigos pensem parecido com você, e os que não pensam acabem sendo banidos ou bloqueados da sua linha do tempo, e desse modo cria-se um vetor unilateral de informação que contribui para o caráter de polarização, gerando uma espécie de ferramenta de embruxamento sistemático. O curioso é ver como tudo isso nasce do embruxamento cultural de maneira bastante espontânea.


homem confiante no futuro, no futuro

     

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