30 maio 2016

o tempo embruxado


O tempo nem se apresenta, sem graça, sem chance. Passa sem deixar rastro e leva o mundo. Leva o mundo a viver, e traz a morte. Um estranho, íntimo. Desconfiado passa, tão sorrateiro que para detê-lo é preciso pensá-lo o tempo inteiro. Onipotente, onipresente... Serei eu uma engrenagem com o único fim de que ele passe e siga sendo sentido, e por isso, existindo? Ou sou apenas a sorte de uma cadeia de coincidências inevitável diante da eternidade, e por isso, a prova viva dela? O infinito pressupõe que não pode haver um fim nem um início. E eu uma orgânica circunstância que teme a morte, por quê? Se estive morto por todo tempo antes mesmo de nascer? Foda-se toda falta de escolha! E foda-se o tempo então! Porque pensar nele é perdê-lo.

detalhe da pintura O passado de uma ilusão, óleo sobre tela



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