20 junho 2016

A beleza como critério moral

 
    Tomemos por mistério as questões que transcendem a compreensão, entre elas as questões fundamentais da filosofia, como quem somos, de onde viemos e para onde vamos. O mistério está conjugado com a existência. A condição humana e sua falta de compreensão das mais básicas questões relacionadas a um ser capaz de sentir e pensar o tempo, a origem e a morte, encontra na beleza/poesia aquilo que imputa uma sensação de sentido a vida. Quando contemplamos a beleza/poesia, está embutido nesta ação parte deste mistério, porque o objeto de apreciação carece das mesmas questões, e fica implícito a dúvida da origem e do fim da beleza/poesia que surge e desaparece ante ao tempo. As raízes desta espécie de sentimento estão justamente no caráter existencial da questão. Portanto o mistério está diretamente relacionado com a sua percepção da beleza/poesia. Toda tentativa de simplificar esse tipo de questão, dando explicações a questões inexplicáveis, não passam de uma tentativa de domesticar a beleza, afim de dominar essa força hermética que transcende as regras. A beleza é o que há de divino! Numa existência contemplativa a face do mistério deve estar nua, se possível polida, para que a beleza/poesia possa exercer sua máxima comoção.
     Penso que, nisto que é ser parte consciente de um mistério maior, há toda força necessária para erguer uma cultura sobre a beleza/poesia, sem precisar por isso dar formas sólidas e definitivas a ela. Se considerarmos que o vazio do mistério não é propriamente repleto de nada, mas de possibilidades, e que o instante de vida é parte sumariamente concreta que compõe esse vazio, já temos o bastante para considerar o fato de que a prioridade do ser, é gerar uma condição para que o seu semelhante exerça sua existência da forma mais justa e livre possível.
     A beleza tem um fim nela mesma, assim como a arte. Não poderiam a vida e os critérios morais serem assim?

homem espiando o mundo de dentro do seu próprio coração

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