26 setembro 2017

pobre homem levando seu coração de trouxa

eu ponho um espelho em frente ao outro,
para mostrar ao espelho sua face,
algo como uma vingança,
já que ele me faz encarar-me quando quase nunca quero,
ponho um espelho em frente ao outro,
para que a luz reflita a verdade da luz,
para replicar a eterna ocasião  de fazê-lo,
porque no fim do túnel do espelho existe um outro eu,
que talvez esteja invertido, ou talvez, corrigido por outra reflexão,
ponho um espelho em frente ou outro,
porque é um jeito de abrir um buraco debochado no espaço,
um túnel que vem e que vai, de tudo que é,
o simples fato de por um espelho em frente ao outro.
ponho um espelho em frente ao outro,
para constatar que estou mais uma vez no meio do infinito,
e que para ambos os lados eu não posso vê-lo,
por estar sempre em meu próprio caminho.


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