02 maio 2018

porque

      
susano correioa, o peso de estar, peso embruxados, aforismos
o peso de estar naquilo que se é

          Há dias em que simplesmente tudo está melhor. O mundo mais organizado, bonito. O desfecho dos momentos fluem como água num riacho. Os cães parecem mais inteligentes. Estamos fotogênicos a partir da alma. Os cabelos estão melhores, os rostos mais harmônicos. As cores mais vivas. Tudo se encaixando, dispensando perguntas. No entanto, há dias opostos, onde nada se encaixa, onde a atmosfera é ruidosa e imperfeita. Os desfechos desencontrados. Sairemos mal em toda foto. E uma grande questão paira tétrica no ar. - Por quê? - Maldita questão. Deita-se por toda a extensão de cada coisa. Como um glutão em sua sesta. Como se as coisas precisassem de um alicerce fundamental explicativo. Invade os dias bonitos. - Por quê? - Basta essa pergunta para estragar um bom momento. Depois disso já não sou capaz de afirmar nada. Já não posso saber se perguntei por desgosto, ou se desgostei com a maldita pergunta de todas as coisas maravilhosas que se bastam sem porquês. Desça pela escada-rolante de porquês enquanto ela despenca no espaço. Mas não vá esquecer de apreciar a queda.

2 comentários:

  1. Cara, sua arte parece com a do Salvador Dalí, Muito bom

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  2. como no comentário de Adailton, Parece os desenhos de Salvador Dalí, só não conseguir identificar o significado. Mas, muito bonito sua arte

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