21 setembro 2019

Sobre retratar.

     Existe algo de muito sutil em retratar alguém. Nunca se trata apenas da figura humana. Cada pessoa é mais que uma figura: uma figura de linguagem, viva. Vivendo nas linguagens de uma figura, que morre. Sabemos que já é bem difícil captar a nota essencial de cada rosto. Muito mais difícil, ainda, é agradar com isso. Para agradar, é preciso saber que cada rosto revela traços daquilo que o sujeito esconde no coração, ler esses traços, e tocar nesse assunto com delicadeza.

     As coisas ainda não estão prontas por aqui, mas é apenas questão de tempo. Me sinto muito inspirado com o novo ambiente. Estamos pensando em um espaço que estimule a experiência do encontro junto a arte. Recebi minha amiga @rsilvajuliana que posou para um retrato enquanto conversamos sobre a vida, trajetória, arte, psicanálise, trivialidades e amor. Nada como se despedir com a certeza de que ainda estamos juntos, na memória de um encontro bonito.




17 setembro 2019

Projeto



Está rolando o meu novo projeto de financiamento coletivo no Catarse. Estou mudando de cidade para montar um ateliê em São Paulo. É um sonho e uma aventura! Esse projeto tem como objetivo ajudar a financiar a mudança e a montagem desse ateliê. Caso você queira fazer parte dessa história e contribuir para que tudo aconteça, pode escolher uma ou mais recompensas através da plataforma. Elas foram pensadas com muito carinho para valerem a pena e incluem livros, prints, gravuras, desenhos e pinturas. Além disso você ganha mais brindes de acordo com as metas de arrecadação atingidas!

Veja o projeto no link: bit.ly/345sMWn

15 setembro 2019

homem levando seu cansaço para passear


"Aceitei, por fim, o sentido do movimento. Não me agrada parar por muito tempo, nem em um estilo, nem em um pensamento que seja.Todavia, com isso, foi preciso desapegar-me do autojuízo em boa medida. Ou me arrependeria amanhã mesmo dessas linhas. Afinal, como posso julgar se hoje já não sou o mesmo de ontem? Tudo bem. Deixarei que eu seja quem sou a cada segundo. Mas devo cuidar de não me tornar um juiz de minhas outras versões numa hora dessas. Pelo menos, não um muito rigoroso e autoritário. Sim, isso, na verdade, já é bem paradoxal. Deixe para lá... Não escrevo como quem quer explicar-se ou aconselhar no sentido prático. Escrevo unicamente como quem descama de sentidos, onde o fluxo da existência passa despindo, carregando e deixando marcas, para finalmente apagá-las junto a todo o resto. A brisa do tempo há de me desmanchar sem piedade, como um castelo de areia. Esse castelo que ergui em mim. Porém, ao menos tentarei, como as gaivotas, planar contra o vento." Trecho do próximo livro.


sozinho no ateliê