15 setembro 2019

"Aceitei, por fim, o sentido do movimento. Não me agrada parar por muito tempo, nem em um estilo, nem em um pensamento que seja.Todavia, com isso, foi preciso desapegar-me do autojuízo em boa medida. Ou me arrependeria amanhã mesmo dessas linhas. Afinal, como posso julgar se hoje já não sou o mesmo de ontem? Tudo bem. Deixarei que eu seja quem sou a cada segundo. Mas devo cuidar de não me tornar um juiz de minhas outras versões numa hora dessas. Pelo menos, não um muito rigoroso e autoritário. Sim, isso, na verdade, já é bem paradoxal. Deixe para lá... Não escrevo como quem quer explicar-se ou aconselhar no sentido prático. Escrevo unicamente como quem descama de sentidos, onde o fluxo da existência passa despindo, carregando e deixando marcas, para finalmente apagá-las junto a todo o resto. A brisa do tempo há de me desmanchar sem piedade, como um castelo de areia. Esse castelo que ergui em mim. Porém, ao menos tentarei, como as gaivotas, planar contra o vento." Trecho do próximo livro.


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